Tuesday, October 31, 2006
UN POEMA PARA ENAMORAR
O outono bate à nossa porta.
Tardes quentes, noites frias.
Até o brilho das estrelas,
Aparentam menos alegrias.
*
As plantas, perdem parte do seu encanto.
Suas folhas que começam a cair,
Se espalham por todos os cantos,
Cobrindo a terra com esse triste manto.
*
Os pássaros que antes cantavam alegremente,
Parecem terem ficado mudos.
Também eles se sentem entristecidos,
Com o outono que se faz presente.
*
A natureza toda chora.
O verão que foi embora.
Pois o outono nos trás de presente,
O inverno que acaba com os dias quentes.
*
Nosso único consolo,
É que tudo é passageiro.
O outono, inverno logo se vão,
Trazendo a linda primavera
Que é a mais bela estação.
*
Flores se espalham por todos os cantos.
Pássaros nos alegram com seus belos cantos.
Trazendo para todos nós,
O alívio e o esquecimento,
Do tempo que nos trouxe tormentos.
*
LINDAMAR C. CARDOSO DE MELLO
 
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Sunday, October 22, 2006
FANTASIA
Pai, meu pai de carne
Que me leva pelos barros marcados
Dos pés dos bois condenados debaixo do sol das manhãs
*
Por que me mostras as rãs saltando nos brejos de ninho
E aqueles caranguejinhos de muitas pernas e puãs
Abrindo com árduo afã
As tocas na lama dos caminhos?
*
Por que me apontas borboletas e o brilho da grama orvalhada?
Os bentevis dos bem-te-vis nas caminhadas
O cheiro doce dos frutos da mangueira
As flores de pétalas molhadas
As mamonas, balas de atiradeira
*
Hoje sei que sabias que naquele lugar encantado
Jazia um homem enforcado
Havia serpentes na estrada
Nos buracos da lama, gente tragada
Abutres em enojante empreitada
*
Podias ter-me feito temente
Dos tigres-de-dentes-de-sabre
Dos homens-de-sabre-nos-dentes
E das mulheres de dentes sorridentes
Que transformam o vinho em vinagre
*
Em todos os pontos há pontas
Em todas as pontas, veneno
Mas, se tu me evitasses o ameno
Eu seria, por certo, mais esperto
Distinguindo o errado do certo
Teria sofrido bem menos
*
Mas hoje distante nos anos
Já não te porei nenhum reparo
Porque entendi os teus planos
Que me custaram tão caro
Pois sei que mais vale a infância
De fantasia e inocência
Que uma vida de ciência
Contudo, de sonho raro
*
I. C. MOURÃO

 
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SOBREVIVEMOS/RESPOSTA
(Resposta ao texto "Sobrevivemos", publicado pelo Cacusso in Kitanda)

RESPOSTA

Extraordinário texto… extraordinária época… felizes os que aprenderam algo nessa altura…
Mas….
… se se viajava sem cintos de segurança, é porque existam menos viaturas a circular ( e se calhar como estavam já completamente pagas os donos tinham mais cuidados com elas) e havia mais civismo e menos inconsciência nas estradas…
… não tínhamos tampa á prova de crianças, porque obedecíamos aos nossos pais quando nos diziam para não mexer em determinados objectos…
--- bebíamos água directamente das garrafas, porque não havia tão pouca inconsciência e falta de civismo nem se despejavam os resíduos em lugares não destinados a esse fim…
… construíamos os nossos próprios brinquedos, porque na maior parte das vezes sabíamos que os nossos pais não tinham dinheiro para comprarem tudo o que nós gostaríamos de ter e não fazíamos birra até eles (já exaustos de nos ouvirem e sem paciência de um dia exaustivo de trabalho) finalmente cederem às chantagens….
… os pais não sabiam de nós nem eram necessários telemóveis, porque podiam confiar em nós e nas pessoas com que nos poderíamos encontrar ao longo do dia… havia mais respeito pelo ser humano e pelos valores humanos….
…. comíamos toda a espécie de porcarias e sobrevivíamos, porque até as “porcarias” tinham mais qualidade que hoje… bem sabemos que os nossos pais eram muito mais resistente fisicamente que nós, e nós somos sem dúvida mais, do que os nossos filhos….
… ninguém ligava tanto às televisões e portanto não éramos bombardeados com as constantes manobras de publicidade e marketing para comprar… comprar cada vez mais mesmo que não tenhamos dinheiro para pagar….
… não se via tanto a televisão, não se assistia tanto aos filmes e afins, que todos os dias ensinam os nossos filhos a comer mal, a serem violentos, a serem malcriados, a crescerem sem valores….
… tínhamos mais atenção para dar aos nossos filhos, não necessitávamos de “os comprar” cedendo às suas chantagens á sua fome de quererem sempre mais ,apenas porque o vizinho do lado ou o amigo tem um telemóvel, um CD, uma peça de roupa que eles não têm… sabíamos dar valor ao sacrifício que os nossos pais faziam por nós e tínhamos a noção das responsabilidades…
… hoje, ou por não termos aprendido a lição… apenas lamentamos o que perdemos, mas não somos capaz de ter coragem de inverter o tempo que se voltou contra nós…
--- Talvez fosse o caso de pensar mais no que podíamos ter, se… e não no que não temos, porque….


VENUSA
 
posted by Venusa-Paixões at 3:12 pm | Permalink | 1 comments
Saturday, October 21, 2006
PROCURO
...procuro urgentemente um coração.
Que além de ser humano, seja gente.
Que antes de ser adulto, seja criança.
Que tendo vontade de chorar, chore e ria...
Que traga alegria e fé para minha alma
E lutando ao meu lado seja um leão...
Mas que seja vibração e loucura me amando.
Que tenha um sorriso acolhedor...
De olhos úmidos de emoção...
De lábios amorosos e quentes...
Que nunca simulem afeição...
Mas que sejam firmes na defesa de suas vontades.
É imprescindível que saiba dançar;
que goste do mar, que dance na chuva e cante mansinho.
Precisa-se muito deste ser humano especial e único.
Porque será sempre meu !
Que sempre será livre para podermos voar juntos.
Será belo, porque o verei com os olhos do espírito.
Que será sempre rico, pois dele serão os tesouros do meu amor...
Aceita doar-me este teu coração??
*
CHARLIE CHAPLIN
 
posted by Venusa-Paixões at 8:52 pm | Permalink | 1 comments
Friday, October 20, 2006
Ritual
























"The love of a musician" de Ivan Koulakov






Cruzo a nado o mar do seu corpo
ao som de silêncios e sussurros,
ou serão anjos tocando cítaras?
O tapete da sala flutua sob mim,
pacificados os espíritos que me habitam.

O que me importam os males do mundo?
O mundo é a ilha onde naufrago,
entre almofadas, afagos e sons.
Discos voadores passam pela janela,
apesar de minha vida comum.




Alexandre Marino
in O Delírio dos búzios
 
posted by Luis Almeida at 1:20 am | Permalink | 0 comments
Sunday, October 15, 2006
AS PALAVRAS QUE FALHAM
Assim como falham as palavras
quando querem exprimir qualquer pensamento,
assim falham os pensamentos
quando querem exprimir qualquer realidade.
Mas, como a realidade pensada não é a dita, mas a pensada,
assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Asim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é apenas uma espécie de sono que temos,
uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.
*
ALBERTO CAEIRO
 
posted by Venusa-Paixões at 9:20 pm | Permalink | 0 comments
Friday, October 06, 2006
Declaração

























As aves, como voam livremente
num voar de desafio!
Eu te escrevo, meu amor,
num escrever de libertação.

Tantas, tantas coisas comigo
adentro do coração
que só escrevendo as liberto
destas grades sem limitação.
Que não se frustre o sentimento
de o guardar em segredo
como liones, correm as águas do rio!
corram límpidos amores sem medo.

Ei-lo que to apresento
puro e simples - o amor
que vive e cresce ao momento
em que fecunda cada flor.

O meu escrever-te é
realização de cada instante
germine a semente, e rompa o fruto
da Mãe-Terra fertilizante.



António Jacinto
 
posted by Luis Almeida at 10:43 pm | Permalink | 0 comments
Thursday, October 05, 2006
Ritual


























Cruzo a nado o mar do seu corpo
ao som de silêncios e sussurros,
ou serão anjos tocando cítaras?
O tapete da sala flutua sob mim,
pacificados os espíritos que me habitam.

O que me importam os males do mundo?
O mundo é a ilha onde naufrago,
entre almofadas, afagos e sons.
Discos voadores passam pela janela,
apesar de minha vida comum.



Alexandre Marino
in O Delírio dos búzios
 
posted by Luis Almeida at 11:39 pm | Permalink | 0 comments